Um dos maiores desafios que enfrentei enquanto jovem gestor foi liderar equipas compostas por colaboradores com muitos anos de experiência e métodos já enraizados. Essa diferença de gerações podia, em certos momentos, criar tensões. De um lado está a segurança de quem domina práticas antigas e do outro a necessidade de modernizar processos.
Desde cedo percebi que, para ter impacto, precisava de conquistar respeito. Não apenas pelo cargo, mas pela forma de estar. Esse respeito construiu-se de duas maneiras: primeiro, mostrando abertura para ouvir e aprender com quem já conhecia o terreno; depois, demonstrando consistência e firmeza nas decisões que tinham de ser tomadas. Acredito que um gestor serve a sua equipa, mas também deve ser uma referência de clareza e orientação.
Admitir que não sei tudo nunca me fragilizou, antes pelo contrário. Deu-me a oportunidade de aprender com a experiência acumulada dos outros. Ao mesmo tempo, fui ganhando credibilidade ao assumir responsabilidades, resolver problemas e não fugir de decisões difíceis. Esse equilíbrio entre humildade e assertividade criou um espaço de confiança.
Um exemplo concreto aconteceu num contrato de resíduos sólidos urbanos (RSU). Até então, a comunicação era feita em papel: folhas de serviço, talões de pesagem e relatórios manuais. Era um sistema familiar para muitos, mas ineficiente, sujeito a extravios e atrasos.
Após analisar o processo, decidi introduzir a ferramenta Survey123 para digitalizar os registos diários. A mudança gerou receio inicial — a tecnologia parecia distante da realidade de quem estava no terreno. O segredo esteve em não substituir de imediato os métodos antigos, mas em mostrar como a nova ferramenta poderia complementar o trabalho já realizado. Com formação prática e acompanhamento a transição fez-se de forma natural.
O resultado foi uma redução significativa de falhas e uma maior rapidez na comunicação. Mais do que ganhos operacionais, ficou a sensação de que a inovação não tinha sido imposta de fora.
Esta experiência ensinou-me que liderar não é controlar cada detalhe, nem agradar a todos a qualquer custo. É servir com propósito, equilibrando respeito pela experiência com a coragem de inovar. O verdadeiro respeito nasce quando os colaboradores percebem que o gestor valoriza o seu saber, mas também que tem a determinação de guiar a equipa para soluções melhores.
Por Hugo Aresta, Responsável de SIG da Luságua
